28.5.12
23.5.12
Português de pijama em São Paulo
Nem Freud, Nem Jung
19.3.12

na desfotografia é assim
primeiro o flash depois o sorriso
a revelação antes do clic
você relembra então vive
o passarinho é que te olha
e você dizendo xixxxxxxxxxx
Conheçam o trabalho do Studio Fausto Saez:
http://www.studiofaustosaez.com.br/
Espirro fotografia
13.3.12
12.3.12
A raiva consome e corrói. Ira da distância que atravessa o coração e dilacera o emocional.
Sujeito a golpes fatais de flertes errados, a cabeça confundi o corpo, e assim o coração mal funciona. Desorientado a opções como sobrevivência, necessidade, sentimento e saudades.
A falta do auto conhecimento durante a jornada faz com que ela se torne uma viagem ao espaço sem volta. Sem destino e sem os valores que foram esquecidos em um planeta que esta agora somente existe em lembranças. A distância dos valores altera o carácter e maltrata o coração, deixando desalinhado tudo aquilo que buscava na jornada.
O corpo por sua vez clama pelo alinhamento para poder continuar sem confusão e com propulsão alimentar o cérebro e o coração. Agora frágil, não sei qual o destino. Quanto tempo vai durar a dor e o medo?
27.2.12
20.1.12
É tarde da noite. Eu sei e já vou dormir, afinal, é o que todos dizem: “Ao menos 8 horas de sono por noite”. E? Ah tá! Os sonâmbulos da noite dormem durante o dia. Ele morreu, mas não viveu. Que pena. Um cadáver sonâmbulo? Deixa pra lá. Não derramaremos palavras melancólicas pelos olhos daqueles que morrem do medo de morrer. Vamos poupá-los essa única vez. Pra que falar do outro se tudo acontece comigo? “Se eu fosse você eu faria dessa forma...” Ora, estive pensando: se passamos 2/3 da vida dormindo, quanto tempo passamos admirando a imagem do nosso espelho achando que somos muito mais do que aquilo que vemos e pensamos? Arrumando a todo instante justificativas para que possamos reafirmar aquilo que realmente não somos? Somos reféns da nossa própria imagem.
O seu caixão tem espelhos?
22.12.11
Espera. Aguarda com a nuca na frente. Espera mais um pouco. Um pouco mais de paciência. Próximo: é a palavra que resumi a identidade de quem já está na iminência de fugir dali. Tudo bem? Digitando no teclado. CPF na nota? Silêncio. Débito ou crédito? Pode inserir. Senha, por favor. Pode retirar. Só um minuto. Obrigado, volte sempre.
Próximo: é a palavra que resumi a identidade de quem já está na iminência de fugir dali. E, quem está ali? O próximo. RG? Bobeira... Qual é o seu nome? Não importa. Senha, por favor. Pode retirar. Só um minuto. Obrigado, volte sempre.
Próximo: você já sabe quem é. Ou melhor, não sabe. Quem é afinal? Tem gente? Deve estar cagando. Bate na porta: - tem gente? Tem: é a palavra que resumi a identidade de quem está na cadeira do divã meditando.
Tem gente? Tem: é a palavra que resumi a identidade de quem está na cadeira do divã meditando. Descarga. Papel. Bom ar. Próximo. Tem gente? Próximo. Tem gente? Próximo. É a combinação poderosa das pessoas mundialmente anônimas. No próximo tem gente?
CPF na nota? Tem gente? Débito ou crédito? Deve estar cagando. Pode inserir. Descarga. Senha, por favor. Papel. Só um minuto. Bom ar. Obrigado, volte sempre. É o mesmo cheiro do ralo.
18.12.11
Um dia o amor fica perfeito e este dia dura anos. Mas, dias não são anos. E, aos trancos dos lençóis, enquanto dure, o amor vive os dias de cada ano. Um dia pode ser eterno, mas, em anos pode ser enquanto dure. Pinga a rotina. Goteja as mesmas brigas e as brigas de sempre. Do sofá ninguém levanta. A televisão é o diálogo. Bom dia. Boa noite. Tela quente, sentimento frio. Não vale a pena viver de novo o tempo de namoro que era bom. Chuvisco. Próximo capítulo. A parede desbota. Um prato se quebra na cozinha. O jantar não tem brinde. O silêncio espera pelo grito. Desperdiça-se um beijo. Um abraço cai. Ninguém se mexe para levantá-lo. Melhor é achar no vizinho: “Você tem açúcar?” Ninguém viu. Cego não vê. Mas, sente. Cego é mudo. Mudo é cego. O silêncio aguarda as palavras suicidas. No criado mudo o abajur contempla os mortos. Pode apagar. Amém. Fecha o livro, mas, não termina a história. Despertador. A barriga varre a sujeira que ninguém quer enxergar. Por favor, café sem cafeína. Faz mal? Não, eu não quero acordar.
Tome nota: quantos relacionamentos perduram que já terminaram? Afinal, o sapo está em todo lugar. O príncipe ninguém acha. É a tradução do amor em todas as línguas que não foram beijadas. Eu aguento mais quantos anos em cada dia?
Você tem açúcar?
9.11.11
31.10.11
26.10.11
Sem vida
- Eu não aguento mais.
- Nem eu.
- E, nem sinal de onde estamos.
- É justamente isso que eu estava pensando agora.
- Então você já deve ter uma suposta resposta.
- Não tenho.
- E, porque não?
- Porque acabou a bateria do GPS.
- (nervoso) Mas, já tinha acabado a bendita droga dessa bateria.
- Por isso mesmo que a gente está aqui.
- A gente v-í-r-g-u-l-a. Você.
- Eu?
- É. Você.
- Não fala assim... (pequena pausa) Você também queria vir.
- Mas, não pra me perder.
- E, porque tanto desespero?
- Porque ninguém sabe onde estou.
- E quem deveria saber?
- Todos os meus amigos da internet.
- Mas, eu sou seu amigo e sei onde você está.
- E o que isso adianta?
- Que você tem um amigo que sabe onde você está.
- Sabe mesmo?
- Sei. Bem na minha frente.
Silêncio. Caminham para um lado e para o outro.
- Você me matou.
- Eu?
- É. Você.
- Eu não fiz nada.
- Você me matou.
- Eeuuu?
- Éééé. Você.
- Pelo que eu saiba você ainda está respirando.
- Você não entende.
- Claro que eu não entendo.
- (pensa) Me traz um caixão.
- Não dá.
- (pensa mais uma vez) Então me enterra.
- Você não está morto.
- Mas, estou sem vida.
- Você está vivo.
- Você não entende.
- É claro que eu não entendo.
- Então me faça um favor. Me deixe numa área que tenha um mísero sinal.
- (Ordena) Um passo a frente. (Depois do movimento do amigo faz um sinal de positivo com a mão).
- Eu não aguento mais.
- Nem eu.
Silêncio.
- Nada do GPS?
- Nem sinal.
- Sem vida...
Silêncio.
24.10.11

Com qual rede pescamos?
O sol ainda estava tímido entre as nuvens da linda manhã de Domingo. O rio, mexendo-se preguiçosamente, acordava de uma noite tranquila e serena. Josué, com sua vara de pescar, parecia estar cochilando. Seu amigo, João, acendia o seu cigarro de palha calmamente. Josué, sem pressa alguma, quebra o silêncio:
- Tem um pra mim?
João acende o outro cigarro e passa para o amigo. O silêncio volta a reinar. Entre uma baforada e outra João começa a mexer na sua rede de pesca. Levanta, estuda cada nó e começa o trabalho paciente até encontrar a perfeita sintonia. A vara de Josué, absolutamente parada e sem sucesso já há um bom tempo, é o único estímulo para ele continuar tentando. “Quem sabe uma hora um peixe morde a isca”, ele pensava convicto.
João joga a rede no rio falando pra ele mesmo: - Venham seus danadinhos. Aguarda por um momento e recolhe. Rede vazia. Só de pensar que terá que desfazer novamente alguns nós para jogar mais uma vez, ele abaixa a guarda e acende novamente seu cigarro. Josué, heroicamente, continua firme no seu objetivo. João senta ao lado do amigo. Observa o rio. Assisti por um momento a dança das nuvens e olha para o seu amigo. Josué nem percebe que está sendo observado. Sua concentração chega espantar qualquer homem do xadrez. João libera todo o seu pensamento e dispara:
- Qual será a rede mais grande? A mais poderosa?
Josué volta do seu mundo particular. Olha para o amigo. Pensa. Fuma o seu cigarro e solta algumas dúvidas junto com a fumaça. Mas, sabendo que Josué é um homem persistente e de boa memória logo se lembra de uma informação e responde ao amigo:
- Tão dizendo que é um tal de fáceboque.
João sem entender nada, questiona:
- O quê?
Reforçando o que acabou de falar:
- Fáceboque.
- Ah!
Sua expressão “Ah”, apesar da enfática réplica do amigo, significava a mesma coisa em sua cabeça: - “não entendi nada”. João também não estava muito interessado em entender alguma coisa. Ele só queria contemplar e fumar o seu cigarrinho. A rede? Ah, deixa ela descansar. E, depois de alguns minutos de silêncio João poderia finalizar aquele momento triunfante perguntando:
- Conseguiu pegar algum peixe Josué?
Josué recolhe a vara. O anzol deita sobre a grama do barranco. Eis alguns instantes de reflexão.