Na fila
Espera. Aguarda com a nuca na frente. Espera mais um pouco. Um pouco mais de paciência. Próximo: é a palavra que resumi a identidade de quem já está na iminência de fugir dali. Tudo bem? Digitando no teclado. CPF na nota? Silêncio. Débito ou crédito? Pode inserir. Senha, por favor. Pode retirar. Só um minuto. Obrigado, volte sempre.
Próximo: é a palavra que resumi a identidade de quem já está na iminência de fugir dali. E, quem está ali? O próximo. RG? Bobeira... Qual é o seu nome? Não importa. Senha, por favor. Pode retirar. Só um minuto. Obrigado, volte sempre.
Próximo: você já sabe quem é. Ou melhor, não sabe. Quem é afinal? Tem gente? Deve estar cagando. Bate na porta: - tem gente? Tem: é a palavra que resumi a identidade de quem está na cadeira do divã meditando.
Tem gente? Tem: é a palavra que resumi a identidade de quem está na cadeira do divã meditando. Descarga. Papel. Bom ar. Próximo. Tem gente? Próximo. Tem gente? Próximo. É a combinação poderosa das pessoas mundialmente anônimas. No próximo tem gente?
CPF na nota? Tem gente? Débito ou crédito? Deve estar cagando. Pode inserir. Descarga. Senha, por favor. Papel. Só um minuto. Bom ar. Obrigado, volte sempre. É o mesmo cheiro do ralo.
22.12.11
18.12.11
Você tem açúcar?
Um dia o amor fica perfeito e este dia dura anos. Mas, dias não são anos. E, aos trancos dos lençóis, enquanto dure, o amor vive os dias de cada ano. Um dia pode ser eterno, mas, em anos pode ser enquanto dure. Pinga a rotina. Goteja as mesmas brigas e as brigas de sempre. Do sofá ninguém levanta. A televisão é o diálogo. Bom dia. Boa noite. Tela quente, sentimento frio. Não vale a pena viver de novo o tempo de namoro que era bom. Chuvisco. Próximo capítulo. A parede desbota. Um prato se quebra na cozinha. O jantar não tem brinde. O silêncio espera pelo grito. Desperdiça-se um beijo. Um abraço cai. Ninguém se mexe para levantá-lo. Melhor é achar no vizinho: “Você tem açúcar?” Ninguém viu. Cego não vê. Mas, sente. Cego é mudo. Mudo é cego. O silêncio aguarda as palavras suicidas. No criado mudo o abajur contempla os mortos. Pode apagar. Amém. Fecha o livro, mas, não termina a história. Despertador. A barriga varre a sujeira que ninguém quer enxergar. Por favor, café sem cafeína. Faz mal? Não, eu não quero acordar.
Tome nota: quantos relacionamentos perduram que já terminaram? Afinal, o sapo está em todo lugar. O príncipe ninguém acha. É a tradução do amor em todas as línguas que não foram beijadas. Eu aguento mais quantos anos em cada dia?
Você tem açúcar?
Um dia o amor fica perfeito e este dia dura anos. Mas, dias não são anos. E, aos trancos dos lençóis, enquanto dure, o amor vive os dias de cada ano. Um dia pode ser eterno, mas, em anos pode ser enquanto dure. Pinga a rotina. Goteja as mesmas brigas e as brigas de sempre. Do sofá ninguém levanta. A televisão é o diálogo. Bom dia. Boa noite. Tela quente, sentimento frio. Não vale a pena viver de novo o tempo de namoro que era bom. Chuvisco. Próximo capítulo. A parede desbota. Um prato se quebra na cozinha. O jantar não tem brinde. O silêncio espera pelo grito. Desperdiça-se um beijo. Um abraço cai. Ninguém se mexe para levantá-lo. Melhor é achar no vizinho: “Você tem açúcar?” Ninguém viu. Cego não vê. Mas, sente. Cego é mudo. Mudo é cego. O silêncio aguarda as palavras suicidas. No criado mudo o abajur contempla os mortos. Pode apagar. Amém. Fecha o livro, mas, não termina a história. Despertador. A barriga varre a sujeira que ninguém quer enxergar. Por favor, café sem cafeína. Faz mal? Não, eu não quero acordar.
Tome nota: quantos relacionamentos perduram que já terminaram? Afinal, o sapo está em todo lugar. O príncipe ninguém acha. É a tradução do amor em todas as línguas que não foram beijadas. Eu aguento mais quantos anos em cada dia?
Você tem açúcar?
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