Sem vida
- Eu não aguento mais.
- Nem eu.
- E, nem sinal de onde estamos.
- É justamente isso que eu estava pensando agora.
- Então você já deve ter uma suposta resposta.
- Não tenho.
- E, porque não?
- Porque acabou a bateria do GPS.
- (nervoso) Mas, já tinha acabado a bendita droga dessa bateria.
- Por isso mesmo que a gente está aqui.
- A gente v-í-r-g-u-l-a. Você.
- Eu?
- É. Você.
- Não fala assim... (pequena pausa) Você também queria vir.
- Mas, não pra me perder.
- E, porque tanto desespero?
- Porque ninguém sabe onde estou.
- E quem deveria saber?
- Todos os meus amigos da internet.
- Mas, eu sou seu amigo e sei onde você está.
- E o que isso adianta?
- Que você tem um amigo que sabe onde você está.
- Sabe mesmo?
- Sei. Bem na minha frente.
Silêncio. Caminham para um lado e para o outro.
- Você me matou.
- Eu?
- É. Você.
- Eu não fiz nada.
- Você me matou.
- Eeuuu?
- Éééé. Você.
- Pelo que eu saiba você ainda está respirando.
- Você não entende.
- Claro que eu não entendo.
- (pensa) Me traz um caixão.
- Não dá.
- (pensa mais uma vez) Então me enterra.
- Você não está morto.
- Mas, estou sem vida.
- Você está vivo.
- Você não entende.
- É claro que eu não entendo.
- Então me faça um favor. Me deixe numa área que tenha um mísero sinal.
- (Ordena) Um passo a frente. (Depois do movimento do amigo faz um sinal de positivo com a mão).
- Eu não aguento mais.
- Nem eu.
Silêncio.
- Nada do GPS?
- Nem sinal.
- Sem vida...
Silêncio.
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