24.10.11


Com qual rede pescamos?

O sol ainda estava tímido entre as nuvens da linda manhã de Domingo. O rio, mexendo-se preguiçosamente, acordava de uma noite tranquila e serena. Josué, com sua vara de pescar, parecia estar cochilando. Seu amigo, João, acendia o seu cigarro de palha calmamente. Josué, sem pressa alguma, quebra o silêncio:

- Tem um pra mim?

João acende o outro cigarro e passa para o amigo. O silêncio volta a reinar. Entre uma baforada e outra João começa a mexer na sua rede de pesca. Levanta, estuda cada nó e começa o trabalho paciente até encontrar a perfeita sintonia. A vara de Josué, absolutamente parada e sem sucesso já há um bom tempo, é o único estímulo para ele continuar tentando. “Quem sabe uma hora um peixe morde a isca”, ele pensava convicto.

João joga a rede no rio falando pra ele mesmo: - Venham seus danadinhos. Aguarda por um momento e recolhe. Rede vazia. Só de pensar que terá que desfazer novamente alguns nós para jogar mais uma vez, ele abaixa a guarda e acende novamente seu cigarro. Josué, heroicamente, continua firme no seu objetivo. João senta ao lado do amigo. Observa o rio. Assisti por um momento a dança das nuvens e olha para o seu amigo. Josué nem percebe que está sendo observado. Sua concentração chega espantar qualquer homem do xadrez. João libera todo o seu pensamento e dispara:

- Qual será a rede mais grande? A mais poderosa?

Josué volta do seu mundo particular. Olha para o amigo. Pensa. Fuma o seu cigarro e solta algumas dúvidas junto com a fumaça. Mas, sabendo que Josué é um homem persistente e de boa memória logo se lembra de uma informação e responde ao amigo:

- Tão dizendo que é um tal de fáceboque.

João sem entender nada, questiona:

- O quê?

Reforçando o que acabou de falar:

- Fáceboque.

- Ah!

Sua expressão “Ah”, apesar da enfática réplica do amigo, significava a mesma coisa em sua cabeça: - “não entendi nada”. João também não estava muito interessado em entender alguma coisa. Ele só queria contemplar e fumar o seu cigarrinho. A rede? Ah, deixa ela descansar. E, depois de alguns minutos de silêncio João poderia finalizar aquele momento triunfante perguntando:

- Conseguiu pegar algum peixe Josué?

Josué recolhe a vara. O anzol deita sobre a grama do barranco. Eis alguns instantes de reflexão.


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